Diálogos e conexões entre arte contemporânea e a experiência da loucura, através de ações realizadas dentro da unidade interna feminina do Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz em Curitiba, investigando interações entre roupa, corpo, ambiente e memória.

A manipulação de tecidos e a experimentação de roupas que vestiram e acolheram o corpo do outro podem abrir espaços de afetos, pelo contato tátil, pela sensação de envolvimento, pela sedução do material, por ser um objeto comum a pessoas com diferentes histórias e inseridas em diferentes contextos.

As roupas utilizadas durante as ações chegaram ao projeto através de um convite para colaboração aberto ao público e divulgado através da web – estas deveriam ser roupas especiais com significado e memória afetiva, acompanhadas de um depoimento escrito.

Aproveitando a abertura criada no Brasil por Nise da Silveira e efetivada pela Lei da Reforma Psiquiátrica, Movimentando Sensações Guardadas / Fase 2: Margens objetiva criar fluxos de trocas, atravessamentos e desdobramentos simultâneos entre artes visuais, instituição psiquiátrica, circuitos culturais e a cidade. Como procedimento poético o projeto se apropria do conceito de rizoma dos filófosos Deleuze e Guattari:

“Em um rizoma, todos os pontos podem conectar-se, livres de qualquer hierarquia ou ordem. Aliás, nem se trata propriamente de pontos, pois já são desde o começo linhas, encontros, conjunções. O processo não é pontual, tudo se mexe sem parar. Diversos fatos remetem a diversos outros, em esferas que (de outro modo) seriam consideradas distintas. Ciências, artes, política, semióticas se atravessam, entrecruzam-se, mudam de direção segundo este ou aquele choque. Multiplicidades conectam-se a multiplicidades. A ligação se dá num plano de consistência: espalhar tudo numa mesma mesa e deixar que as linhas se multipliquem para todos os lados. Colocar “sobre uma mesma paragem: acontecimentos vividos, determinações históricas, conceitos pensados, indivíduos, grupos, formações sociais”.

Durante o evento “Corrente Cultural” será criada uma instalação dentro do próprio hospital e também no Espacial EPA!, espaço cultural autônomo localizado no Bairro Bom Retiro.

Espacial Epa!
– Rua Cel João G. Guimarães, 1150
06/11 a 12/11 – 18 às 21hs
Entrada franca
Contato para informações – (41) 9661 4668 / (41) 9931 0074

Espaço anfitrião

link: Espacial EPA!

Incentivo:

Projeto Realizado com o apoio do Fundo Municipal da Cultura – Programa de Apoio e Incentivo à Cultura, Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.